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| Fotos: Acervo |
Em Recife, e veja,
ao final desta ENTREVISTA,
os dias das
apresentações da peça
A atriz, gestora, produtora e arte-educadora, que dispensa
apresentações, foi direto ao ponto quando quisemos saber sobre esta recente montagem
teatral da obra de Ariano Suassuna.
JOSÉ LUIZ SANTANA (IZAN SANT) – Nossa Senhora é uma das
figuras mais amadas de "O Auto da Compadecida". Como é, para você, reinterpretar
essa personagem tão sagrada dentro de uma farsa modernesca, dialogando ao mesmo
tempo com a tradição popular e com uma linguagem contemporânea?
SIMONE FIGUEIREDO - Interpretar uma personagem
histórica defendida por grandes atrizes do Teatro e do Cinema brasileiros é uma
honra, ao mesmo tempo, um grande desafio. A Compadecida é contraponto aos
demais personagens que são farsescos. Portanto, encontrar o equilíbrio entre
essa polaridade foi o caminho escolhido para a construção da personagem.
- Sendo uma atriz pernambucana, o que muda — no corpo, na
voz ou na emoção — ao viver Nossa Senhora em Recife, diante de um público que
carrega uma relação tão afetiva com Suassuna e com essa obra?
SF - Claro que a proximidade da obra e do autor
com o público pernambucano e nordestino torna o desafio maior. Procurei
usar alguns gatilhos para essa construção: ouvi
canto gregoriano, mariano, música instrumental de autores nordestinos,
vi pinturas de Nossa Senhora de todas as épocas ao mesmo tempo que me permiti
seguir minha intuição à partir desses estudos.
- Essa montagem brinca com o riso para chegar a temas profundos como justiça, misericórdia e humanidade. O que essa Nossa Senhora “moderna” ensina a você, neste momento, como artista e como pessoa?
SF - A Compadecida apresenta uma natureza terna e compreensiva com as fraquezas humanas. A Compadecida me ensina a ser mais disponível e simples nas relações, mais humana, mais sensível às questões sociais atuais. Uma coisa que busquei no processo de construção da personagem foi a mistura da fé Católica com a cultura popular e a introdução de símbolos de religiões de matrizes africanas. O Brasil tem o cenário religioso diversificado, como a sua cultura. Com certeza, saio melhor depois do trabalho.
“Auto da Compadecida”, próximas apresentações:
- Dias 28 e 29 de janeiro, às 19h, no Teatro Samuel Campelo (Sesc Jaboatão dos Guararapes).
- Dias 30 e 31 de janeiro, às 19h e às 17h, respectivamente,
no
Teatro do Parque, Recife - PE.
- Dia 03 de fevereiro, às 19h, no Sesc Ler Goiana - Goiana- PE.
Relembre outra entrevista com Simone Figueiredo AQUI.


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